Repetidamente, nos deparamos na internet (particularmente em grupos de facebook) com técnicas "fantásticas". Duplique, triplique suas chances; O segredo da aprovação; Agora você será aprovado... etc. Um dos erros mais comuns dos candidatos é justamente perderem seu precioso tempo de estudo nessas bobagens.

Alvo constante dessas abordagens "milagrosas" é a técnica do chute. Já falei sobre isso antes, para o caso particular da banca CESPE. Agora vou desconstruir outra "técnica", desta vez para provas com 5 alternativas (o mesmo raciocínio vale para 4 ou qualquer número de alternativas).
 
Resumidamente, a "técnica" diz o seguinte:
- você marca as que sabe;
- conta a alternativa que menos marcou;
- chuta o restante nessa alternativa.
 
A premissa é a de que "as alternativas são balanceadas, aproximadamente 20% de cada". Logo, se marco a que marquei menos aumento os meus acertos.
 
De fato, a premissa está certa, mas a tese não. Basta lembrar da tabela-verdade de Se A então B. Premissa correta não valida tese errada!
 
A B A→B
V V V
V F F
F V V
F F V

Non sequitur é uma expressão latina (em português "não se segue") que designa a falácia lógica na qual a conclusão não decorre das premissas. Em um non sequitur, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa, mas o argumento é falacioso porque há falta de conexão entre a premissa inicial e a conclusão. (Não deixe de estudar gratuitamente o nosso curso de Raciocínio Analítico)

Como testar se essa técnica é válida? Basta compará-la com um caso de controle, que é responder 100% das questões de acordo com a sua opinião. 

Para testar a validade da técnica, simulamos milhões (literalmente) de vezes para diferentes casos. Variou-se tanto o % da prova em que a "técnica" foi usada (variando de 0% [controle] até 25%), quanto a proficiência dos candidatos (os advogados da "técnica" dizem que ela funciona melhor para os melhores candidatos - mais proficientes).
 
Eis os resultados:
 
 
As linhas representam o quanto o candidato sabe (mais pra baixo sabe mais), as colunas o quanto da "técnica" foi utilizada (a primeira coluna não usa a técnica, é a referência). Os valores apresentados são os % de acerto.
 
É natural que quem sabe mais acerte mais (descer nas linhas), mas veja que, quanto mais se usa a "técnica" (colunas mais a direita), MENOS se acerta!
 
O pior é que a "técnica" é tão mais nociva quanto melhor o candidato! Exatamente o oposto do defendido pelos advogados da "técnica", de que ela "só funcionaria para quem estuda".
 
"Mas comigo funcionou!", alegam alguns. Claro que para casos particulares eventualmente pode funcionar, mas na média não funciona. Ou seja, essa "técnica" diminui sua chance de aprovação! Veja abaixo para qual percentual essa "técnica" funciona:
 
 
Para um candidato muito proficiente (top 2% = percentil 98%), se ele usar a "técnica" em 5% das questões, ele tem 3,8% de chance de acertar mais do que acertaria se não usasse a "técnica". Bem animador...
 
Cuidado com abordagens "milagrosas"! Tenha em mente que o que funciona é meta, planejamento, estudo e simulados. É um caminho duro, mas que leva cada vez mais perto, rumo à aprovação!