Esta é a terceira Aula do Curso de Raciocínio Analítico para concursos. Como já foi dito, no Blog, postaremos os conceitos mais importantes de cada tópico. Já os exercícios resolvidos, estarão disponíveis gratuitamente no site.
 
Argumentos Falaciosos e Apelativos
 
 
Uma falácia (ou sofisma) é uma espécie de mentira, é um argumento logicamente inconsistente, inválido, ou que falhe de outro modo no suporte eficaz do que pretende provar. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil. 

Para que um raciocínio seja falacioso é preciso que seja mau mas pareça bom. Não basta que um raciocínio seja mau para que seja falacioso: é também preciso que pareça bom. Também não basta que um raciocínio pareça bom para ser falacioso: é também preciso que seja mau.
 
 
As falácias podem ser classificadas como formais e não formais. As formais são erros de raciocínio que resultam exclusivamente da sua forma lógica, isto é, da sua estrutura interna. As faláciasinformais, por sua vez, são erros de raciocínio que não resultam exclusivamente da forma lógica, mas do conteúdo. Isto é, da sua relação com a realidade e com o contexto em que se inserem. 

a) Falso dilema: apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais.

Brasil: ame-o ou deixe-o.
Você não suporta seu marido? Separe-se!

Quem não está a favor de mim está contra mim.

b) Pergunta complexa: apresentar duas proposições conectadas como se fossem uma única proposição, pressupondo-se que já se tenha dado uma resposta a uma pergunta anterior.

Você não é a favor do aborto e da liberdade feminina?
O povo quer morrer de fome ou reeleger o presidente?

c) Composição: concluir que uma propriedade compartilhada por um número de elementos em particular, também é compartilhada por um conjunto desses elementos; ou que as propriedades de uma parte do objeto devem ser as mesmas nele inteiro.

Essa bicicleta é feita inteiramente de componentes de baixa densidade, logo é muito leve.
Um carro utiliza menos petroquímicos e causa menos poluição que um ônibus. Logo, os carros causam menos dano ambiental que os ônibus.

d) Divisão (oposto da composição): assumir que a propriedade de um elemento deve aplicar-se às suas partes; ou que uma propriedade de um conjunto de elementos é compartilhada por todos.

Você estuda num colégio rico. Logo, você é rico.
Formigas podem destruir uma árvore. Logo, essa formiga também pode.

e) Petição por princípio: ocorre quando as premissas são pelo menos tão questionáveis quanto as conclusões atingidas.

Não posso acreditar nisso, porque é mentira.
 
 
 f) Falsa causa: afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.

Os fabricantes de bebida gaseificada apontam pesquisas que mostram que, dos cinco países onde a bebida é mais vendida, três estão na lista dos dez países mais saudáveis do mundo, logo, bebida gaseificada é saudável.
 
 
f) Causa complexa: supervalorizar uma causa que faz parte de um sistema, ou seja, é a identificação de apenas parte das causas de um evento.

O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.
(Mas há outras causas: o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse bêbado e se a vítima tivesse prestado atenção ao trânsito.)

Alguns tipos de falácias, chamados de apelos, possuem a intenção de neutralizar o senso crítico do interlocutor para que uma mensagem errônea seja aceita de forma irrefletida.

a) Ataque à Pessoa: atacar ou desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação..

Não dêem ouvidos ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.

b) Apelo à ignorância: concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro.

Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe.
Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem. 

c) Apelo a força: ameaçar com conseqüências desagradáveis se não for aceita ou acatada a proposição apresentada..

Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego?
Ou nós, ou a desgraça, o caos.

d) Apelo emocional: ocorre quando se usa a manipulação dos sentimentos do receptor como forma de convencê-lo da validade de um argumento. É um tipo de apelo à crítica, que se usa de argumentos que não abordam a questão sendo discutida.

O papai fica triste quando você faz isso, não faça mais isso.
Me dê dinheiro, pois estou com fome.

e) Apelo popular: sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma idéia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem-se aqui os boatos, o "ouvi falar", o "dizem", o "sabe-se que".

Dizem que um disco voador caiu em Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas.

f) Apelo circunstancial: utilizar os interesses do interlocutor para que ele aceite o argumento se refletir.

Você não quer ganhar mais? Então vamos votar em X.

g) Apelo à autoridade: citar uma autoridade (muitas vezes não qualificada) para sustentar uma opinião.

Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.
 
 
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